cabiriaemfuga

cap. 48

In sonhos de cabíria on 22/09/2011 at 13:50

Essa habilidade estranha de entender tanta coisa e fazer tudo ao contrário, por pura vingança de uma coisa que ela nem sabe o que é.

Como morrer em gotas.


[Teria dito que.]

In sonhos de cabíria on 02/09/2011 at 16:22

Nada fazia o menor sentido ali, madrugada e maquiagem com lágrimas de que nem havia se dado conta chorar.

Nada fazia o menor sentido, ele disse, e ela teria dito, se pudesse, se houvesse tempo, se soubesse como, se uma palavra tropeçasse na garganta, se o táxi demorasse 2 minutos e 17 segundos, se não houvesse despedida, se suas mãos fossem quentes, se não sentisse tanto ódio do que nem foi sentido, que essa era a única chance de encostar na lucidez, de não ser ridículo e constrangedor nos encontros entre tanta gente que, no fim das contas, só queria estar sozinha à vista de um olho-mágico.

Não fazia o menor sentido e, por isso, ela só queria [naquela noite, naquela varanda, naquela garrafa vazia, naquela despedida torta] o silêncio que ele pudesse oferecer. Teria dito que.

cap. 47

In sonhos de cabíria on 25/08/2011 at 15:21

Entornando o pôr-do-sol com três moedas nos bolsos e não mais que duas palavras no calibre enferrujado.

E ela morreria, sempre: ele era todo o risco que ela precisava correr.